13 de out de 2016

RESENHA: SANGUE


1256. Will estava destinado a ser o Conde de Mércia, mas não viveu o bastante para herdar o título, já que foi acometido por uma estranha doença aos 16 anos de idade. Mesmo assim, apesar de sua morte – e de seu enterro –, ele não está nada morto. Ao longo das páginas, o leitor vai compreender um pouco sobre esta condição de Will. Descobrir que ele está existindo entre a vida e a morte. Ocasionalmente hiberna, sempre esperando que a morte lhe chame e, toda vez que desperta, enterrado no solo, tem uma breve lembrança do primeiro pânico que sentiu em 1349. Sangue apresenta como um de seus principais diferenciais o fato de ser mais macabro e sombrio do que as obras atuais do gênero. Para Wignall, o romantismo é importante, mas nunca deve se sobrepor ao enredo. Assim, ele elaborou cenas angustiantes, como as que o protagonista enfrenta sempre que desperta das hibernações, além de ambientes sinistros e escuros e personagens bem-construídos, perversos e sem escrúpulos.
 William, é o Conde de Mércia - bem, teria sido se não tivesse morrido. Aos 16 anos Will foi enterrado depois de ser acometido por uma estranha doença, mas ele, de fato não está morto. De tempos em tempos ele acorda de suas hibernações e vaga sem rumo procurando um propósito para sua existência. Durante esses oitocentos anos ele permaneceu perdido, sem saber quem o mordeu e nem o porquê. Will é um vampiro - que prefere o termo morto-vivo - e depois de encontrar uma vítima perfeita para se alimentar percebe o quanto as coisas estão estranhas nesse último despertar. E tudo parece se conectar, desde a vítima, um sem-teto que mora em um galpão, a garota, Eloise, por quem ele sente uma atração imediata, até aos donos de um sinistro Café Vegano chamado Terra Plena. A atmosfera sombria na cidade indica que algo está para acontecer e Will tem indícios de que tudo isso pode estar sendo causado pela criatura que o mordeu.


Sangue é o primeiro livro da trilogia O Vampiro de Mércia escrito por K J Wignall. Os capítulos se dividem em terceira pessoa e alguns que o próprio Will conta alguns de seus pensamentos e histórias.

Will é, sem dúvidas, um personagem magnífico! O que eu mais gostei nele foi a personalidade madura e sensata - o que desvia bastante de alguns clichês vampíricos que existem por aí - e por vezes a tristeza e solidão que ele expressa de maneira tão encantadora.
"Não houve romance, embora os breves momentos na companhia dela tivessem me aquecido e me recomposto. Era maduro o suficiente para saber que a teria amado se pudesse, se a parte da minha maldição não fosse a perda dessa emoção física."
 Eloise também foi uma personagem que me surpreendeu bastante. Eu esperava que ela fosse mais fresca e cheia de mimimi, mas não. Além de ser uma pessoa determinada ela acompanha e entende muito bem os pensamentos do Will, assim como seus sentimentos. Ela sabe o que ele é, e percebe como é difícil pra ele lidar com algumas coisas.
"- Desculpe - disse Eloise, como que temendo que até mesmo aquele sinal de afeto pudesse ser demais para ele.
Will também sorriu. Tomou a mão dela em resposta e pressionou-a contra seus próprios lábios, sem deixá-la ver a dor interna que aquele simples gesto de intimidade lhe causava."
No final das contas achei uma história muito poética a atrativa, a leitura foi rápida e nada cansativa.  Estou ansiosa para ler a continuação e espero que o Will consiga se ver de uma maneira mais positiva. Chega a dar um aperto no coração só de pensar em como ele enxerga a sí próprio.
"- Você não percebe? A catástrofe sou eu. Minha própria existência é uma afronta a tudo o que é bom e natural."
Nota: ☼☼☼☼☼

Um comentário

  1. Olá, Nao!!!
    Perdoe-me não ter respondido seu pedido de afiliação logo, eu estava um pouco muito ocupada e acabei não notando na hora ~sorry

    Vim aqui dizer que aceito seu pedido, e você já está nos afiliados do blog na nova atualização que, se tudo der certo, sai ainda esse final de semana <3

    Kissus

    ResponderExcluir